terça-feira, 31 de maio de 2011

AONDE VOU?




Estranho em mim mesmo;
Um segredo que não sei;
Onde no caminho errei?
Não reconheço o ninho!

Na multidão estou sozinho!
Há lágrimas que não caem;
Nada, vazio, ócio sou refém;
Nem sei quem me resgatará!

Isso tem hora para acabar?
Balburdia que não cessa.
Solidão. Agora mais essa!
Teia sem nexo, cacarecos...

Eu não escuto meus ecos,
Voz que reivindica feroz;
Que se mostre meu algoz,
Quero saber dessas feridas.

Sabor das flores coloridas
O cheiro do sol novamente
Há o anseio de paz latente
Não me vejo ainda incluído!

Meu manancial está poluído.
Não és tu, Natureza tão bela!
Sou eu debruçado na janela,
Buscando pedaços de mim!

Venham, ajudem Serafins!
Transfigurem o meu rosto,
Venham, juntem-me, roto,
Escamoteiem minha alma.

Tento caminhar com calma.
Esquisita estrada perscrutar.
A Paz tão sonhada encontrar.
Dores e alegrias poder cantar.

Há Esperança aonde vou!
Todo caminho é mistério
Em todo caminhar sério.
Há o Senhor aonde vou!

domingo, 29 de maio de 2011

MARIA DO SIM




Se olho para ti, Maria 
Teu olhar me conduz
Ao Cristo lá na Cruz

Tu, menina de Nazaré,
Respiras no ventre a fé
Tu, noiva do fiel José.

O ser todo desdobrado
Num ato de fé aceitado
Mãe de Nosso Senhor.

Tu eras bem jovem
Poderias até objetar
Com José irias casar

Teu coração tremeu
O que ele iria pensar
Foi desafiada na fé!

Diante desse absurdo
Não titubeaste Maria:
Eis aqui a tua serva

Deus gerou em ti!
Semeou a Salvação
Em tua concepção

Preferiste Jesus Cristo
Fizeste renúncia de si
Pela Promessa Divina

Eu te venero Maria
Enfrentaste as leis
Para acolher vida

És digna de admiração
Abriste todo o coração
Em prol da libertação

Senhora do sim a Deus
Venceste regras sociais
Revestidas do egoísmo

Tens graça em Deus
Gabriel retorna ao céu
A virgem disse Sim!

REFLEXÃO II





Bem pertinho de mim para não estar longe dos demais



sábado, 28 de maio de 2011

MARIA: MULHER A SERVIÇO DOS DEMAIS





Maria e suas amigas, caminhando pelas ruas de Jerusalém, sorriam das conversas íntimas, sussurradas em segredo púbere. Vinham do poço onde fora pegar água. Com sua fé alegrava-se com a grandeza de seu Criador. Em sua jovem idade, seu silêncio glorificava o sonho de Deus. 


Ainda adolescente. Maria já era suficientemente madura para acolher o que Deus queria de sua vida. Não é tão somente algo de estrondosa santidade ou iluminação transcendental que acompanha esse fato. O que mais encanta na história dessa mulher, convidada a contribuir decisivamente na história da humanidade, é sua capacidade de discernir os acontecimentos à luz da Palavra Sagrada; sabia, sentia e vivia o que desejava Deus para sua Criação. Seu coração de adolescente continha os mesmos desejos de qualquer outra jovem de seu tempo; seu íntimo transbordava grandes projetos pessoais.

Ainda adolescente. Vem Deus com uma proposta de entrega ao seu Projeto de Libertação para a humanidade. Sabemos da inconstância que carrega essa etapa juvenil; porém, temos consciência de que também acompanham essa etapa grandes sonhos de transformação de sua realidade. Maria, escuta a proposta de seu Deus; seu coração já pulsa aceitação, pois sua vida sempre foi uma entrega total à vontade de sua Palavra, meditada nos Livros Sagrados. Como toda adolescente, tinha dúvidas, e não hesitou perguntar ao enviado de Deus, que por sua vez, transbordava de contentamento.

Ainda adolescente, fez-se mãe na acolhida incondicional do Filho de Deus em seu ventre e, acima de tudo, em sua resposta de entrega plena à utopia de Deus em habitar o coração humano, através de seu Filho Jesus - o Messias esperado por muitos profetas. Maria encontrou graça diante de Deus e assim era escolhida para esta missão sublime. Todo chamado necessita de uma resposta firme, ousada e convicta. A menina de Nazaré não titubeou em aceitar e dizer sim ao Plano Salvífico de Deus.

Ainda adolescente, já era capaz de abdicar de seus sonhos mais íntimos e secretos por amar a Deus sobre as coisas. E mesmo a possibilidade, que era real e bem provável que acontecesse, de perder José, seu noivo, não a fez retroceder ao que lhe pedia o Senhor, Criador de tudo o que existe na face da terra. Fonte de água de viva e duradoura. Maria sempre meditava no caminho, quando voltava do poço, as maravilhas que faz o Senhor e da grandiosidade que é seu amor, que envolve todas as coisas criadas por Ele, por meio de seu Espírito Santo. Admiravelmente, Maria era uma mulher toda entregue à Providência Divina. Naquele entardecer em que o anjo lhe apareceu, Maria chegara mais cedo a sua casa. Tinha um jeito carinhoso de estar com os demais e sempre pronta a servir. Seu coração derramava-se de cuidado por aqueles que sabia que sofriam sem que ninguém lhe estendesse a mão. Por isso, não era novidade que a jovem de Nazaré tivesse tanta sensibilidade e vontade de que o que os profetas anunciaram, desde muitas gerações, fizesse-se verdade num tempo de esquecimento da verdadeira face misericordiosa de Deus, em quem o seu coração aprendera a amar e servir com todo o seu querer.

Ainda adolescente. Maria já era, por graça e dom de Deus, um ser humano que soube ler a vontade de Deus e a por em prática, com generosidade e disponibilidade, o que Ele pedia, por intermédio do Anjo Gabriel, também com liberdade e correndo o risco de receber um não, a que Ela se dispusesse a acolher em seu ventre a Salvação anunciada. O que mais encanta em Maria é a sua disponibilidade incondicional e seu serviço aos demais de seu tempo.

Maria, força na caminhada, nesse tempo marcado pela indiferença e individualismo, encapuzado de bem-estar social, ajuda-nos a ser disponíveis para melhor servir aos demais. Que teu sim ao projeto de Deus nos comunique ousadia. Amém

sexta-feira, 27 de maio de 2011

PÉS A CAMINHO...





Às vezes, eu penso que sei para onde caminho; outras, nem sei se sei. Tem algo que me ajuda e, ao mesmo tempo, me consola nessa incertidumbre: amo o caminho que meus passos pisam. Ante as incertezas e dúvidas, o coração precisa, no mínimo, amar seu pulsar. O pulso são os passos do corpo; a vida que acontece agora são os passos cotidianos do ser.
           Caminho na percepção do sentido de meu existir. Tem horas que imagino saber exatamente para que sirvo; glorio-me e me satisfaço com a bem-aventurança de existir com uma razão. Precisamos de uma causa, nem que seja a de manter-se vivo, existindo. Entretanto, é sempre possível ir além dessa causa primordial. No caminhar encontro razões para crer no que creio. Busque cada um o sabor de seus passos. Acima de tudo, cada um se ponha a vencer o fel das ervas amargas de outrora com as pequenas degustações de frutas vermelhas e saborosas do caminhar.
           No meu caminhar encontro pedras, flores, folhas verdes, secas, maduras... Vou colhendo, apalpando, discernindo, colocando na bolsa de minhas vivências. O sol, a lua, as estrelas também estão presentes em minhas pegadas. Sento na grama à margem do caminho para descansar de tempos em tempos. Embaixo dos pés as marcas da estrada ficada para trás: As feridas causadas pelas pedras, a aquarela das folhas e flores... O coração aperta quando olho para frente, mas os pés me dizem uníssonos: caminhe!
           Novamente, sinto-me sem saber o motivo de meus passos. No entanto, caminho, caminho, caminho... Peregrino diante desses passos aparentemente inertes. Não ter medo de pôr um pé após outro. Há gosto na estrada que nos acolhe. Essa verdade eu tento me impor. Mais que isso: Essa verdade me faz caminhar. Pode ser que algo me aconteça ao longo das pegadas, mas a isso me apego como minha bússola.
           Há duas semanas estou parado. Não é descanso. É um fato. Um espinho enorme me fez parar. É assim mesmo quando permitimos que um espinho torne-se apenas espinho com sua capacidade de ferir e com sua pretensão de nos fazer desistir do caminho. Mas já me decidi levantar. Pôr os pés em marcha, pois a vida é como olhamos as coisas. Um espinho pode ser apenas espinho, mas pode ser um broto de rosa se assim contemplamos e cuidamos dele. 

quinta-feira, 26 de maio de 2011

REFLEXÃO I




Olhe ao redor, busque a sutileza das rosas, vento, pássaros...
Não demorará perceber as fagulhas borbulhantes do íntimo.