quinta-feira, 9 de junho de 2011

PÉTALA AO VENTO...




O Vento derramou-se em cuidado por uma Pétala que desce o rio. Apaixonou-se pela delicadeza do pequeno ser sob o jugo das águas. Revestiu-se de defensor por excelência da Pétala de rosa. Não perguntou por sua história como fora parar naquela correnteza. Simplesmente deixou-se levar pelo amor que nutria pela Pétala e que lhe arrebatara o coração.
O Sol forte batia sob o dorso da cor intensa da Pétala e refletia nos contornos do Vento. Isso o deixava mais encantado e ainda mais sem defesas contra esse sentimento. Soprou com força sob a Pétala para desviá-la de um obstáculo à frente; a Pétala reclamou das dores causadas pelo impacto do sopro em sua pele macia e sedosa. O vento, então, desdobrou-se em dosar a intensidade de seu sopro a fim de não machucar a Pétala e, ao mesmo tempo, salvá-la do obstáculo.
Era noite. A Pétala equiparava-se em brilho com as estrelas do Céu. A Lua lhe adotou como parte da constelação. O vento participou da cerimônia ritual de pertença. O pequeno ser, envolvido pelo cuidado e presença do Vento, permitiu que ele descansasse ao seu lado para contemplar a dança dos astros celestes. O vento deitado juntinho da Pétala adormeceu e sonhou com a Rosa da qual veio a Pétala; e esta, por sua vez, sonhou com o ar nascendo de seu coração.
Alvorecer. O vento seguia com seu cuidado. As correntezas aumentavam à medida dos obstáculos a que a Pétala estava exposta. O Vento, então, foi surpreendido pelo convite da Pétala: “desce comigo estas águas”. O Vento respondeu: “mas há tempos desço contigo”. A Pétala insistiu: “desce comigo”. O Vento compreendeu o desejo da Pétala que se apaixonou por seu sopro delicado e deslumbrante.
Sob o mesmo risco, as mesmas intempéries do caminho o Vento foi navegar no íntimo da Pétala. Das profundezas do rio subiu a brisa que soprou a Pétala que se elevou acima das copas das mais altas árvores bailando com o vento numa cumplicidade de entrega e esquecimento de si no outro. Desde então, as Pétalas caem na esperança de encontrar o amor.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

MEMÓRIAS...




Sentei na grama ali na varanda e fiz companhia aos seres da noite. Tinha feito café para não me sentir sozinho. Entre um gole e outro as memórias do dia, da semana... do ventre rebobinavam-se em minhas entranhas. Não há como escapar do silêncio da noite. Estrelas, Lua, insetos e o vento nada diziam ou gesticulava e, apesar disso, eu sentia tudo como que totalmente presente em meu íntimo dialogando com as memórias.
A vida acontecia naquele punhado de espaço e fagulha de tempo. As memórias de minha pouca existência se mesclavam à dinâmica daqueles seres que se hospedaram em minhas lembranças. A infância veio brincalhona, a adolescência com seus êxtases e angústia e a juventude acenava com seus sonhos e agora, a vida adulta tentava me cobrar alguma conduta como se fosse prestação de contas de tudo que se passou.
Porém, memória é seta e não juiz. E mais ainda: memória que se veste de sentimento de culpa se torna um capataz pronto para degolar-nos com nossa anuência por merecimento de nossos feitos. Quando nos sentimos encurralados, a memória nos conduz, de alguma forma, à pergunta pelo sentido que queremos dar ao nosso existir. Outras vezes, ela não passa de gratidão pelo encanto de ter vivido tantas coisas belas.
Despedi-me dos seres da noite. Não sabia exatamente o que deveria ser minha existência, mas tinha clareza de que qualquer ser sem memórias era como um corpo sem alma.  

terça-feira, 7 de junho de 2011

SAUDADE AGRESTE


A um amigo que deixa saudades,
Mas leva a marca da sinceridade!



 
Acena ao vento
Adeus e benção
Saudade Agreste

Despe-se da janela
Barco iça sua vela
Janela se despede

Ver e tocar o sol
Namorar tua Lua
Viver do coração

Uma voz te chama
Agreste dos olhos
Para dar-te o amor

Percorre essa estrada
Co’as mãos da amada
Nas tuas entrelaçadas

Agreste Saudade
Benção e Adeus
Vento te acena

quarta-feira, 1 de junho de 2011

REFLEXÃO III

 

Borboleta na janela. Asas voavam nos olhares. Sincronia perfeita.
Harmonia sinfônica sem igual. Fechei a janela. Borboleta na alma.

terça-feira, 31 de maio de 2011

AONDE VOU?




Estranho em mim mesmo;
Um segredo que não sei;
Onde no caminho errei?
Não reconheço o ninho!

Na multidão estou sozinho!
Há lágrimas que não caem;
Nada, vazio, ócio sou refém;
Nem sei quem me resgatará!

Isso tem hora para acabar?
Balburdia que não cessa.
Solidão. Agora mais essa!
Teia sem nexo, cacarecos...

Eu não escuto meus ecos,
Voz que reivindica feroz;
Que se mostre meu algoz,
Quero saber dessas feridas.

Sabor das flores coloridas
O cheiro do sol novamente
Há o anseio de paz latente
Não me vejo ainda incluído!

Meu manancial está poluído.
Não és tu, Natureza tão bela!
Sou eu debruçado na janela,
Buscando pedaços de mim!

Venham, ajudem Serafins!
Transfigurem o meu rosto,
Venham, juntem-me, roto,
Escamoteiem minha alma.

Tento caminhar com calma.
Esquisita estrada perscrutar.
A Paz tão sonhada encontrar.
Dores e alegrias poder cantar.

Há Esperança aonde vou!
Todo caminho é mistério
Em todo caminhar sério.
Há o Senhor aonde vou!