domingo, 29 de maio de 2011

MARIA DO SIM




Se olho para ti, Maria 
Teu olhar me conduz
Ao Cristo lá na Cruz

Tu, menina de Nazaré,
Respiras no ventre a fé
Tu, noiva do fiel José.

O ser todo desdobrado
Num ato de fé aceitado
Mãe de Nosso Senhor.

Tu eras bem jovem
Poderias até objetar
Com José irias casar

Teu coração tremeu
O que ele iria pensar
Foi desafiada na fé!

Diante desse absurdo
Não titubeaste Maria:
Eis aqui a tua serva

Deus gerou em ti!
Semeou a Salvação
Em tua concepção

Preferiste Jesus Cristo
Fizeste renúncia de si
Pela Promessa Divina

Eu te venero Maria
Enfrentaste as leis
Para acolher vida

És digna de admiração
Abriste todo o coração
Em prol da libertação

Senhora do sim a Deus
Venceste regras sociais
Revestidas do egoísmo

Tens graça em Deus
Gabriel retorna ao céu
A virgem disse Sim!

REFLEXÃO II





Bem pertinho de mim para não estar longe dos demais



sábado, 28 de maio de 2011

MARIA: MULHER A SERVIÇO DOS DEMAIS





Maria e suas amigas, caminhando pelas ruas de Jerusalém, sorriam das conversas íntimas, sussurradas em segredo púbere. Vinham do poço onde fora pegar água. Com sua fé alegrava-se com a grandeza de seu Criador. Em sua jovem idade, seu silêncio glorificava o sonho de Deus. 


Ainda adolescente. Maria já era suficientemente madura para acolher o que Deus queria de sua vida. Não é tão somente algo de estrondosa santidade ou iluminação transcendental que acompanha esse fato. O que mais encanta na história dessa mulher, convidada a contribuir decisivamente na história da humanidade, é sua capacidade de discernir os acontecimentos à luz da Palavra Sagrada; sabia, sentia e vivia o que desejava Deus para sua Criação. Seu coração de adolescente continha os mesmos desejos de qualquer outra jovem de seu tempo; seu íntimo transbordava grandes projetos pessoais.

Ainda adolescente. Vem Deus com uma proposta de entrega ao seu Projeto de Libertação para a humanidade. Sabemos da inconstância que carrega essa etapa juvenil; porém, temos consciência de que também acompanham essa etapa grandes sonhos de transformação de sua realidade. Maria, escuta a proposta de seu Deus; seu coração já pulsa aceitação, pois sua vida sempre foi uma entrega total à vontade de sua Palavra, meditada nos Livros Sagrados. Como toda adolescente, tinha dúvidas, e não hesitou perguntar ao enviado de Deus, que por sua vez, transbordava de contentamento.

Ainda adolescente, fez-se mãe na acolhida incondicional do Filho de Deus em seu ventre e, acima de tudo, em sua resposta de entrega plena à utopia de Deus em habitar o coração humano, através de seu Filho Jesus - o Messias esperado por muitos profetas. Maria encontrou graça diante de Deus e assim era escolhida para esta missão sublime. Todo chamado necessita de uma resposta firme, ousada e convicta. A menina de Nazaré não titubeou em aceitar e dizer sim ao Plano Salvífico de Deus.

Ainda adolescente, já era capaz de abdicar de seus sonhos mais íntimos e secretos por amar a Deus sobre as coisas. E mesmo a possibilidade, que era real e bem provável que acontecesse, de perder José, seu noivo, não a fez retroceder ao que lhe pedia o Senhor, Criador de tudo o que existe na face da terra. Fonte de água de viva e duradoura. Maria sempre meditava no caminho, quando voltava do poço, as maravilhas que faz o Senhor e da grandiosidade que é seu amor, que envolve todas as coisas criadas por Ele, por meio de seu Espírito Santo. Admiravelmente, Maria era uma mulher toda entregue à Providência Divina. Naquele entardecer em que o anjo lhe apareceu, Maria chegara mais cedo a sua casa. Tinha um jeito carinhoso de estar com os demais e sempre pronta a servir. Seu coração derramava-se de cuidado por aqueles que sabia que sofriam sem que ninguém lhe estendesse a mão. Por isso, não era novidade que a jovem de Nazaré tivesse tanta sensibilidade e vontade de que o que os profetas anunciaram, desde muitas gerações, fizesse-se verdade num tempo de esquecimento da verdadeira face misericordiosa de Deus, em quem o seu coração aprendera a amar e servir com todo o seu querer.

Ainda adolescente. Maria já era, por graça e dom de Deus, um ser humano que soube ler a vontade de Deus e a por em prática, com generosidade e disponibilidade, o que Ele pedia, por intermédio do Anjo Gabriel, também com liberdade e correndo o risco de receber um não, a que Ela se dispusesse a acolher em seu ventre a Salvação anunciada. O que mais encanta em Maria é a sua disponibilidade incondicional e seu serviço aos demais de seu tempo.

Maria, força na caminhada, nesse tempo marcado pela indiferença e individualismo, encapuzado de bem-estar social, ajuda-nos a ser disponíveis para melhor servir aos demais. Que teu sim ao projeto de Deus nos comunique ousadia. Amém

sexta-feira, 27 de maio de 2011

PÉS A CAMINHO...





Às vezes, eu penso que sei para onde caminho; outras, nem sei se sei. Tem algo que me ajuda e, ao mesmo tempo, me consola nessa incertidumbre: amo o caminho que meus passos pisam. Ante as incertezas e dúvidas, o coração precisa, no mínimo, amar seu pulsar. O pulso são os passos do corpo; a vida que acontece agora são os passos cotidianos do ser.
           Caminho na percepção do sentido de meu existir. Tem horas que imagino saber exatamente para que sirvo; glorio-me e me satisfaço com a bem-aventurança de existir com uma razão. Precisamos de uma causa, nem que seja a de manter-se vivo, existindo. Entretanto, é sempre possível ir além dessa causa primordial. No caminhar encontro razões para crer no que creio. Busque cada um o sabor de seus passos. Acima de tudo, cada um se ponha a vencer o fel das ervas amargas de outrora com as pequenas degustações de frutas vermelhas e saborosas do caminhar.
           No meu caminhar encontro pedras, flores, folhas verdes, secas, maduras... Vou colhendo, apalpando, discernindo, colocando na bolsa de minhas vivências. O sol, a lua, as estrelas também estão presentes em minhas pegadas. Sento na grama à margem do caminho para descansar de tempos em tempos. Embaixo dos pés as marcas da estrada ficada para trás: As feridas causadas pelas pedras, a aquarela das folhas e flores... O coração aperta quando olho para frente, mas os pés me dizem uníssonos: caminhe!
           Novamente, sinto-me sem saber o motivo de meus passos. No entanto, caminho, caminho, caminho... Peregrino diante desses passos aparentemente inertes. Não ter medo de pôr um pé após outro. Há gosto na estrada que nos acolhe. Essa verdade eu tento me impor. Mais que isso: Essa verdade me faz caminhar. Pode ser que algo me aconteça ao longo das pegadas, mas a isso me apego como minha bússola.
           Há duas semanas estou parado. Não é descanso. É um fato. Um espinho enorme me fez parar. É assim mesmo quando permitimos que um espinho torne-se apenas espinho com sua capacidade de ferir e com sua pretensão de nos fazer desistir do caminho. Mas já me decidi levantar. Pôr os pés em marcha, pois a vida é como olhamos as coisas. Um espinho pode ser apenas espinho, mas pode ser um broto de rosa se assim contemplamos e cuidamos dele. 

quinta-feira, 26 de maio de 2011

REFLEXÃO I




Olhe ao redor, busque a sutileza das rosas, vento, pássaros...
Não demorará perceber as fagulhas borbulhantes do íntimo.



quarta-feira, 25 de maio de 2011

FLUIR O ESPÍRITO IV




A folha desprendeu-se da árvore. Caía solitária. A fruta madura deu adeus ao seu ninho. Caiu veloz, quase sem tempo para despedir-se. Por fim, a árvore despia-se de seus frutos, flores, folhas. Talos sem suas vestes glamorosas.
O episódio acima retrata a solidão, a angústia e o vazio de uma vida. Podemos ficar com essa percepção dos fatos ou transcender. Posso ficar com a imagem de dor e negatividade que o destino da folha, da fruta e das flores e as folhas me transmitem ou mudar meu olhar, a forma como acolho tudo isso.
Olhemos para a folha linda que cai... a fruta madura que despenca do alto... a árvore que se despela toda... Se visualizarmos e deixarmos que nos afetem como negativo, veremos a folha seca, em estágio de morte, a fruta madura apodrecendo, a árvore sem beleza, sem encanto.
Contemplemos para a folha formosa que cai... a fruta madura que despenca do alto... a árvore que se despela toda... Se apreciarmos e deixarmos que nos afetem como possibilidades, veremos um broto que nasce no lugar da folha caída, as sementes que se aninham à terra da fruta madura e o renovar-se da árvore frondosa.
Portanto, pode-se decidir que impacto tem sobre nosso espírito a realidade das coisas e, ainda mais, pode-se tirar proveito delas para nosso crescimento.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

CRIAI ÂNIMO






O sol brilha. A lua encanta. As estrelas enfeitam, majestosas, o céu. A vida humana ganha novo sentido quando os olhares despertam para a beleza das coisas criadas. Entretanto, adormecida a vista, os astros nada representam aos órgãos sensitivos. Tudo é vazio. Nada satisfaz o ser que sopra os pulmões. Nem mesmo o respirar. Depressão é ausência de percepção do encantamento; tristeza advinda do coração que escureceu a alma. Paladar que mais sente o gosto da brisa que passeia a face. Suspirar que não mais representa satisfação e gozo, senão angústia e desespero. O sol parece escondido. Claridade e escuridão não se diferenciam. Nada há que vislumbre a existência. O sentido torna-se querer nunca ter existido. Ter brincado ou sorrido como criança. Ter visto o sol nascer ou se pôr. Ter sonhado coisas maravilhosas! Enfim, nunca ter sido chamado de humano.
O encanto vem de dentro. Encontra fora suas formas. Procurar fora o que está no interior é matar a essência que habita cada um de nós. É crucificar o sentido. Respostas que nunca virão. Manter-se deprimido! Só pode haver algum sentido fora se, e somente se, o ser encontrou uma fagulha de Essência dentro de si. O amor brota das profundezas do coração humano. Descobrir que o sol, a lua e as estrelas tem seu crepúsculo nas batidas do coração é descobrir uma fagulha do amor, do sentido para a vida. Ali tem início o novo acontecendo! E o novo aqui significa ânimo e coragem para vencer o tédio em que se transformaram os passos. A chaga de permanecer respirando sem nenhuma motivação. A alma se descobre no íntimo; no reconhecimento de algo maior que a lua, o sol, as estrelas e o próprio respirar. Encontra Deus! Encontra-se!
O encanto vem dentro. Ultrapassa as trevas. Encontra fora suas formas. Ainda há escuridão cercando a alma, todavia, o interior está repleto da grande Luz, Deus, que se deslumbra com seu reflexo até mesmo na escuridão que causava medo! A vida continua com as lembranças, dores, tribulações, escuridões... a Luz não esconde as trevas! Torna luminosa. Compreende. Transforma. Reconfigura. Os passos calejados tornam-se força para pisar o asfalto quente e os caminhos tortuosos. O sol, a luz, as estrelas, a vida tem sentido no coração que nasce e se põe a cada dia no encontro com o Ser superior, o sempre mais, Deus, criador e Senhor!

NUDEZ DA ÁGUIA



Cansada de muitas caças. Exausta de muitos voos. O peso das plumas, triunfo de quedas mortíferas para seus adversários, exigiam renovação. O vento, por mais que sacudisse suas intimidades, nunca decifraram seu ser. O fascínio das penas mantinha o mistério de tão grandioso e temido ser.
As alturas cegaram, com o tempo, sua capacidade de discernir o interior das penas. Vivia apenas de sua especialidade de ver longe a fragilidade de outros seres. Perdera o fio de sua história que levar-lhe-ia a abraçar sua fraqueza, fonte de sua própria força e riqueza, nudez de sua alma, células que não se corrompem nas agruras do espaço e do tempo. Precisava vencer o medo de ver-se sem as estridentes garras afiadas. Reconhecer que o exterior já não era extensão de sua interioridade e vice-versa. Tinha que fazer o percurso rumo ao seu íntimo e renovar-se, encontrar-se face a face com suas debilidades. Havia se esquecido de ir tirando aquilo que a impedia de ser mais veloz e perspicaz e agora suas penas e seus olhares a descaracterizavam.  
Subira o monte, cume da razão vinculada à latejante terra. Pousara sobre os dois ápices (controversos para alguns) da existência: Razão e Coração. Seu bico inquisidor lançara-se sobre a estética de tão belas plumas que cobriam seu corpo; plumas carregadas de muitas vivências. Aqueles talos, cheios de pequenos fios harmoniosos, abandonavam o corpo da ave e desciam os muros da imponente montanha, levadas pelo vento. Puxados pela raiz num ato de extrema coragem em ir ao mais profundo de si. Não era abandono de sua história, mais posse de sua existência.
A dor era intensa. O bico seguia firme seu intento. O olhar da ave adentrava o interior nunca visto, visitado, conquistado. O olhar perscrutava cada contorno da nudez revelada. A fraqueza, signo de dor, curava a cegueira das alturas e o corpo desnudo da potente Águia, lentamente reconstruía as plumas interiores, a força escondida, misteriosa, que a dor proporcionava. O silêncio da Montanha, o sussurro do vento e as garras cravadas nas rochas eram sinônimos da luta por compreender a raiz de cada pena, arrancada e lançada ao abismo; de encontrar o manancial de cada gota de sangue escorrida. Não havia gritos, senão poros abertos a decifrar o genes de plumas desfeitas.
A águia estava no início e, ao mesmo tempo, no auge do sentido de sua existência; da razão de ser de seus voos instintivos. Seu olhar se inclinou novamente sobre si e percorreu, atenta e perscrutadora, os poros desnudos. A nudez que contemplavam seus olhos afiados era como se pela primeira soubesse exatamente o que era ser Águia.