quinta-feira, 5 de maio de 2011

MÃE, DOM DE AMAR




Meses guardando a esperança
A vida toda sendo Esperança
Olhar de mãe nunca descansa
Carregas o dom de ser santa.

O sono não te vence no leito da criança
Longe os passos em busca de alimento
Ninguém negará a força do teu intento
Ser proteção norteia o teu pensamento

Meses guardando a esperança
A vida toda sendo Esperança

O corpo vive para a alma que geraste
Se preciso dispõe da vida para salvar
A consigna é a inerente força de amar
Sua vocação: dom de sempre cuidar

No coração habita o repertório
Cuidado feito canção de ninar
Carinho no seu jeito de abraçar
Paz na profundidade do olhar.

Meses guardando a esperança
A vida toda sendo Esperança

As palavras tentam te alcançar
Mas já me sinto fracassado
Para expressar sou limitado
Mistério maior a isto falado:

Mãe, sentido e metáfora do amor
Amor que se doa e entrega: Mãe
Símbolo utópico do amor: Mãe
Amor que nasce de Deus: Mãe

Meses guardando a esperança
A vida toda sendo Esperança

terça-feira, 3 de maio de 2011

MÃES PASCAIS




Teu caminho tem marcas de desigualdade
Os interesses estiveram sempre à margem
Muitas mães sucumbiram ante o martírio

 Montanhas e as flores do campo
Se curvam ante ti, Mãe Pascal

Vida entregue ao respirar do infante
Vencendo dores da sucção no seio
Alimentas o ser nascido de teu amor
Brancura das neves, força dos vulcões
Celebram tua coragem, Mãe Pascal.

A violência soa nos tambores de teu existir
O olhar lateja o desprezo de tua identidade
Teu sonho não querem levar à plenitude

Amanhecer e o anoitecer, sol e lua
Cochicham a fortaleza, Mãe Pascal

Tua via crucis é incompreendida
Fazem chacota de tua caminhada
Cospem em tuas chagas abertas

Estações, primavera e verão
União do outono e inverno
abraçam tua cruz, Mãe Pascal

Raros leem as entrelinhas de teu ventre
 Mistério poucos são os que saboreiam
Medíocres ainda tateiam tua essência

Morte e os precipícios, potestades todas
prestam culto sob teus pés, Mãe Pascal

Vida entregue à outra vida, cuidada
Não deixar morrer o instinto de gerar
Slogan sempre será a vida preservar

Criador, que se fez morada em teu ventre
Sua benção ungi teu resistir, Mãe Pascal

Percalços da história não destroem teu ventre
 Brutalidade não viola a vida que nasce de ti
Suposta libertação não irá denegrir a dignidade

Cosmos, a pedido do Criador, recolhe nos lábios
Beijo saboroso de tua firme vitória, Mãe Pascal

segunda-feira, 2 de maio de 2011

MARCAS EM MIM




As tonalidades da realidade mais me doem que encantam. Ferem as alegrias e a esperança. Tentam destruir as lindas embalagens de minhas utopias e crenças. Apesar de tudo isso eu não recuo ou destoo o meu canto cheio de esperança.
Há marcas cinzentas que escondem o brilho do sol às retinas de meus olhares; no entanto, apego-me com firmeza nas lembranças do calor dos raios solares nas retinas de minha alma. Aliás, não são somente lembranças em si. São vivências epidérmicas.
Há marcas escuras que confundem meus passos deixando-me na solidão da noite. Não me entrego à escuridão do ambiente. Creio nas luzes internas da alma que me conduzem nas trevas do caminho. Piso no chão desconhecido com medo, mas interiormente convincente de que não me perderei na névoa.
Há dores que pesam nos olhares. Feridas que descaracterizam a face; depredam as cores da alma; deixam o espírito cabisbaixo, sem força para mover-se. Ficamos encolhidos num beco em companhia de nossos sentimentos suicidas. Pensamos em tudo, menos naquilo de bom que podemos ser. Olhamos ao redor e só vemos fogo e trevas. Escapam de nosso horizonte a folhagem verde, os brotos, flores da primavera... Mas o que fazer se é isso que reveste isso que agora sinto, sou?! Resmunga nossa angústia.   
O formato e as marcas das cores cinzentas, escuras, as dores e feridas não mudam o sonho que se sonha em mim. É aqui onde devo me refugiar sempre que atormentado pela bandeira contemporânea da dor e da angústia.
       Viver é se mover dentro do vendaval de incertezas que nos causam a sociedade, convictos de que dentro de mim há belezas intocáveis; nas tonalidades da realidade que me afetam há marcas de mim, mas não há todas as cores de minha essência.

domingo, 1 de maio de 2011

GERMINAR




Mãe,

Quisera percorrer teu semblante
Não deixaste que me calejassem
Os pés no caminho pedregoso
Para impregnar de tua paixão
Por aqueles que tu gerastes!

Quisera descansar em tuas fadigas
Tu cuidaste de modo exagerado
Sentiste alegria do dever cumprido
Por aqueles que tu te consagraste.

Mãe,

Quisera andar em teus sonhos
Crestes em minhas conquistas
Revelaste as tuas esperanças
Por aqueles que te és vitória.

Quisera perscrutar teus olhares
Me assemelhaste às tuas pupilas
Teu olhar todo embebido de arte
Por aqueles que te fizeste artista.

Mãe,

Quisera entrar no teu silêncio
Ouvir o amor em tua solidão
Sons de ninar, teu aconchego
Por aqueles que tu és refúgio.

Quisera não precisar de poesia
Para expressar teu firme amor
Mas o coração pulsa insistente
Por ti, perfume de Deus: Mãe!